sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O funcionalismo de Malinovsky

B. Malinovsky foi sem dúvida um dos antropólogos que utilizaram as suas pesquisas de campo principalmente para compreender- e talvez também para compreender mal- o mundo e a realidade do significado do rito. Conhecemos hoje a crítica impiedosa de M. Douglas à pessoa de Malinovsky e a ironia de Geertz sobre a verdadeira actividade desenvolvida pelo antropólogo Polaco nas ilhas Trobriand, mas também as críticas e mexericos não arranham mais tanto a seriedade do trabalho do autor de Gli Argonauti del pacífico occidentale.
Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que Malinovsky rejeitou firmemente a ideia de que o homem primitivo não tivesse nenhum domínio racional sobre a natureza, convicção essa que o levava a ver de modo diferente a relação entre magia, ciência e religião, as quais- segundo o autor- coexistem no seio da própria cultura. Malinovsky refere muitos casos observados e volta em parte, mas com instrumentos mais aguçados e convincentes, a considerar o sentido da magia "imitativa" ou "homeopática". Uma flecha lançada com rituais e gestos contra o desenho de um inimigo que se quer destruir expressa emoções intensas, passando a fazer parte de uma constelação de sentimentos psicológicos em que a esperança, o desejo e a confiança convergem para o rito, contribuíndo para dar um suplemento de garantia. Não se trataria portanto de uma atitude anticientífica, porque a causa não está estritamente ligada ao efeito, mas trata-se em todo o caso de uma funcionalidade sui generis da causa sobre o efeito que não remete porém a uma pura relação instrumental.
Resumindo, a teoria funcionalista de Malinovsky abrange um campo antropológico-operativo muito amplo que na sua postulação geral poderia ser formulado da seguinte forma: existem na sociedade muitas necessidades primárias e secundárias, culturais e derivadas; a essas necessidades correspondem instituições e respostas culturais aptas (ou não) a satisfazê-las. Tudo o que uma cultura constroí e cria do ponto de vista das instituições e das actividades contribui para o funcionamento dessa mesma cultura, nem que essa cultura não passe de aberração contra-natura, como hoje está muito na moda.

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