segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Horas canónicas

Sem esperar, sozinho sempre
Simultaneamente,
abre-se o corpo: aurora!
E a alma, janela aberta,
suspende a onda. Fecunda
areias nocturnas, solitárias.


O momento era sagrado,
lacónico qual o nascer
de Adão anterior ao acto.
Sorrio, levanto o braço
e aponto homens na praia
e o avanço da onda contra o barco.
Sou um homem sem história.
Acordo aos tombos no dia
com a clara luz do sol nado.


Assasino de mim próprio
de súbito, o que ninguém viu:
o rochedo iluminado
 o rochedo iluminado
ressurgindo da neblina.


A esta hora qualquer pode ser
quem quiser: a preclara vítima
que como tal se reconhece
e padece
ansiosa pelo perdão
antes que chegue a hora
do seu viver, mal haver
justificado.


Ruy Cinatti- Horas canónicas

Sem comentários:

Enviar um comentário