sábado, 6 de agosto de 2011

Os sofismas da democracia

O argumento mais decisivo contra a democracia resume-se em poucas palavras: o superior não pode emanar do inferior, porque o mais não pode sair do menos. Este mesmo argumento, aplicado noutra ordem, vale também contra o materialismo. É mais do que evidente que o povo não pode deter nenhum poder efectivo que ele próprio não pode possuir; o verdadeiro poder só pode vir do alto, e é por isso, diga-se de passagem, que qualquer poder só pode ser legitimado pela sanção de alguma coisa superior à ordem social, ou seja, uma autoridade espiritual.

Toda a inversão da hierarquia começa no momento em que o poder temporal se quer tornar independente da autoridade espiritual e, a seguir, subordiná-la a fins políticos. A primeira queda do homem na "democracia castrante" começou com a realeza Francesa do século XIV, que trabalhou inconscientemente ela mesma na preparação da revolução que acabaria por a derrubar.
A democracia do povo pelo povo é uma impossibilidade total. É altamente contraditório haver governados e governantes, na linguagem Aristotélica, um mesmo ser não pode ser "em acto" e "em potentia" ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Não poderia haver governados se não houvesse governantes ainda que,legítimos e sem outro direito ao poder que aquele que atribuíram a si mesmos, mas a grande habilidade, no mundo moderno, é fazer com que o povo se governe (grande ilusão). E o povo, dócil e ignorante como é, deixa-se persuadir de boa vontade, tanto mais porque se sente lisonjeado com isso e é incapaz de reflectir bastante para ver o que há aí de impossível.

Foi para criar essa ilusão que se inventou o sufrágio universal: é a opinião da maioria que supostamente faz a lei, mas falta perceber que a opinião é algo que pode facilmente ser dirigida e modificada.
Continua.

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