quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Contra a interpretação cínica da história

«A interpretação cínica afirma que, na história como na generalidade dos factos, a ganância é sempre o motor principal - a avareza, a acumulação de bens, dinheiro, ouro, petróleo e o poder. É assim, afirmam, que sempre foi e sempre será, nos regimes despóticos mas também nas democracias, sendo a única diferença que nesta última a hipocrisia, se possível, é ainda pior. Considero esta teoria não só errada como também irresponsável, precisamente porque tem laivos de plausibilidade.»

«A interpretação cínica da história é a mais recente de três grandes modas que gostaria de mencionar. Hoje em dia surge como sucessora directa da interpretação marxista, que por seu turno esteve na berra após o colapso da interpretação nacionalista ou racista da história.»

« ... a interpretação marxista da história torna-se a última moda a seguir às interpretações hegelianas e nacionalistas - e de modo algum apenas no que então era a Alemanha de leste. Visto que foi o colapso da visão marxista da história que conduziu à vitória da terceira moda cínica, começarei por examinar um pouco mais de perto essa visão.»

«A pretensão do marxismo de fornecer uma prova científica da revolução social e do advento do inevitável socialismo - tal como se prevê um eclipse solar com o auxílio da mecânica celestial de Newton - encerra em si um terrível perigo moral.»


Excertos da conferência "contra a interpretação cínica da história" de karl Popper na universidade De Eichstatt em maio de 1991.



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