segunda-feira, 11 de julho de 2011

Racionalismo- A semente má do iluminismo

Historicamente, empregou-se o termo "racionalismo" para designar o período do iluminismo que se difundiu na europa no século XVIII e parte do século XIX. O racionalismo é na sua génese, ou pretendeu ser, uma doutrina oposta ao empirismo, segundo a qual a experiência é incapaz de explicar todos os conhecimentos, em particular as ideias normativas e os princípios por meio dos quais raciocinamos. Oposta ao cepticismo, segundo a qual a razão humana é capaz de alcançar a verdade, porque as leis do pensamento racional são também as leis das coisas.

O racionalismo pretendia representar uma atitude e uma resposta ao problema do papel que a razão deve desempenhar na vida humana e na sua actividade. Existem três formas de racionalismo distintas; o psicológico que dá à razão o predomínio sobre as outras faculdades humanas, o gnoseológico, que defende a primazia da razão sobre os sentidos, e assim sendo, considera que todo o verdadeiro conhecimento tem origem racional,e o metafísico, que afirma que a realidade em última instância é de carácter racional.

Podemos dividir o racionalismo em racionalismo teológico e filosófico.

O racionalismo teológico sustenta que a autoridade da revelação e a autoridade da hierarquia eclesiástica têm de ser substituídas pela razão, chegando-se a este veredicto pela negação da verdade sobrenatural, não porque esta não exista, mas porque se torna inútil colocá-la como postulado. Subestima, assim, o conhecimento da fé, que considera superstição ou preconceito.
Tal interpretação, distorcida da realidade, advogava um sistema de moral e de ética natural. Este racionalismo atingiu o seu apogeu, principalmente na Alemanha, tendo exercido um poderoso influxo em teólogos e exegetas posteriores, de onde o avanço da crítica bíblica.

O racionalismo filosófico apresenta-se tradicionalmente oposto ao voluntarismo e ao sensismo e, procedendo de maneira unilateral, sobrestima o saber pelo saber ou razão, prescindindo do significado da vida e do fim da vontade. O antagonismo entre voluntarismo e racionalismo começou na idade média, em consequência da assimilação do pensamento grego pela filosofia medieval.
O cristianismo implicava uma tensão interior permanente entre natureza e sobrenatureza, entre razão e fé. As diferentes escolas, empenhadas em salvar um ou outro elemento, acabaram por combater-se entre si. Os teólogos e filósofos do cristianismo platónico (S. Agostinho e S. Boaventura) sustentaram a primazia da vontade sobre a razão. Daqui se deduz que o homem só pode conhecer se for em primeiro lugar um crente, pelo que deve olhar a razão com certo receio, pois esta carece de uma instância própria em que possa cultivar-se por si mesma.
Os Aristotélicos medievais- cujo principal representante é S. Tomás de Aquino- crêem que, embora a fé se ocupe de matérias que se sobrepõem à razão, existe, todavia, uma base racional em que assenta a nossa fé: a religião natural ou preâmbulo da fé. A filosofia possui uma esfera própria, autónoma e válida, em que a razão constitui o último critério de validade.

O racionalismo, porém, adquire um corpo doutrinal, ao ser elevado a posições radicais por Descartes e Espinoza, segundo os quais não existe verdade no conhecimento sensorial e daí, na opinião deles, a filosofia das luzes. Toda a verdade se obteria, segundo eles, dedutivamente e, de umas raras ideias fundamentais, produto exclusivo da mente e nunca obtida pelos sentidos. Assim, se tornava possível um tratamento apriorístico, dedutivo, de todas as ciências. Para Espinoza, o último critério da verdade seria a própria mente. O racionalismo mantém, em oposição ao sensismo, que a verdade é o produto estrito da razão e esta constitui a única fonte do conhecimento humano; a sensação não passa de uma ideia confusa.

Mas, onde estará a confusão na realidade??

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