quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os modernos idealistas segundo G.K.Chesterton

A tarefa dos modernos idealistas foi-lhes, na verdade, imensamente facilitada pelo facto de sempre lhes terem ensinado que tudo o que foi vencido foi refutado. Logicamente o contrário é que é verdadeiro: as causas perdidas são precisamente as que poderiam ter salvado o mundo. Se alguém diz que o jovem pretendente teria feito a felicidade de inglaterra é difícil retorquir-lhe. Se nos afirmam que os Georges fizeram feliz a inglaterra espero que todos nós saibamos a resposta. O que um dia se evitou é sempre inexpugnável e o único rei perfeito da inglaterra foi o que sufocaram antes de subir ao trono. Exactamente por ter fracassado é que não podemos chamar ao jacobinismo um fracasso. Precisamente porque a comuna falhou como rebelião é que não podemos dizer que falhou como sistema. (...)

Becket recusava-se a admitir que um padre pudesse ser julgado em tribunal nem que dele fosse juíz o Lord juíz do supremo, e a sua razão era simples: quem estaria a ser julgado era o juíz-chefe e a ser julgado pelo padre. O poder judicial ficaria ele próprio sub judice. Os próprios Reis iriam para o banco dos reús. A ideia era criar um reino invisível sem exército nem prisões, mas com inteira liberdade para condenar publicamente todos os reinos da terra. (...)

Naturalmente o que eu quero dizer é que o catolicismo não foi julgado; muitos católicos foram julgados e condenados. O meu ponto de vista é o de que o mundo se não cansou do ideal da igreja, mas sim da sua realidade. O cristianismo tornou-se impopular devido à arrogância dos cristãos e não devido à humildade deles. É evidente que a igreja falhou principalmente por causa dos seus homens, mas não é menos certo que elementos hostis a tinham começado a minar muito antes dela ter completado o seu trabalho. Pela natureza das coisas necessitava de uma organização da vida e do pensamento comum a toda a Europa. Muito antes da igreja ter mostrado o mais ínfimo sinal de desagregação moral começou porém a desagregação intelectual do sistema medievo. (...)

A humanidade não franqueou a idade média: bateu em retirada. O ideal Cristão não foi julgado e encontrado em falta; acharam-no difícil e deixaram-no sem julgamento.

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