quinta-feira, 14 de julho de 2011

O mundo moderno segundo René Guénon

Cairá o mundo moderno no abismo fatal? Ou, tal como na decadência do mundo greco-romano, uma nova recuperação se produzirá ainda desta vez? René Guénon lança estas duas perguntas adivinhando de antemão aquilo que paira actualmente sobre as nossas cabeças. Uma nova recuperação não basta, segundo ele, mas antes e primeiramente uma renovação total.


O mundo moderno teve a sua razão de ser, e sendo esta idade moderna que termina um ciclo, pode dizer-se que vem no tempo certo e no lugar certo.
A questão do cristianismo já não ser compreendido no seu sentido mais profundo, pelo menos equilibra-se pelo facto de ter conservado na sua forma tudo o que é necessário para fornecer a base que é inapelavelmente necessária.
Os princípios e o seu conhecimento, que é o conhecimento por excelência, o conhecimento metafísico no verdadeiro sentido da palavra, é universal como os próprios princípios, portanto, inteiramente separado de todas as contingências individuais.

Estas mesmas contingências individuais acima faladas e segundo Guénon, só se aplicam quando se passa às aplicações, o que faz com que o domínio puramente intelectual é o único que não necessita de um esforço de adaptação entre diferentes mentalidades. Como este entendimento só pode ser feito pelo alto e não por baixo, o homem actual , moderno, vive a sua decadência, quase que se poderia dizer que a celebra...

Guénon queria demonstrar que é preciso partir do mais elevado, ou seja, dos princípios, para descer gradualmente às diversas ordens de aplicação. Sem esquecer a ordem hierárquica entre elas. Ora segundo Guénon, esta obra só é possível de ser realizada por uma elite intelectual, porque o poder espiritual não é de modo algum baseado sobre o número, cuja lei é a da matéria. Na idade média, a disposição natural para a acção existente entre os ocidentais, não os impedia de reconhecer a superioridade da contemplação, ou seja, da inteligência pura. No mundo moderno os ocidentais desenvolveram desmedidamente as suas faculdades de acção, chegando ao ponto de perderem a sua intelectualidade.

Como forma de consolo, inventaram teorias que situam a acção acima de tudo, chegando mesmo, com o "pragmatismo" a negar que exista o que quer que seja de válido fora dela.

A acção, sendo apenas uma modificação transitória e momentânea do ser, não poderia ter em si mesma o seu princípio e a sua razão suficiente; se ela não se ligar a um princípio que está além do seu domínio contingente, é apenas pura ilusão.

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