segunda-feira, 4 de julho de 2011

Multiculturalismo versus epistemologia monocultural

Segundo Andrea Semprini, a «epistemologia multicultural» associada ao pós-modernismo está em rota de colisão com aquilo que este chama a «epistemologia monocultural» da modernidade europeia e ocidental. Desta forma, e segundo o mesmo Semprini, a «fractura que separa as duas epistemologias torna difícil toda a forma de mediação dialéctica e transforma as controvérsias em aporias conceptuais», ou seja, os conflitos entre as duas epistemologias são tendencialmente insanáveis, saldando-se por um impasse. Assim, os multiculturalistas opõem-se à «epistemologia monocultural» herdada do iluminismo, através do seguinte esquema de confrontação:

1- Ao essencialismo da «epistemologia monocultural» que alegadamente vê os grupos e as identidades como «dados objectivos da realidade social», e praticamente imutáveis, contrapõem o seu construtivismo, ou seja que as entidades aparecem como resultado de uma evolução histórica, de escolhas políticas e económicas e de «interacções contínuas».

2- Ao universalismo dos valores, dos julgamentos morais e das escolhas comportamentais opõem o relativismo, considerando que a «utopia universalista nasceu com o iluminismo, tendo-se concretizado nas revoluções americana e francesa», só que de verdadeiramente universalista «apenas tem o nome»; de uma forma ainda mais radical, «o relativismo afirma a impossibilidade de estabelecer um ponto de vista único e universal sobre o conhecimento, a moral e a justiça», afirmando-se, também que «o universalismo não é apenas um logro, como também é uma impostura, uma violência».

3-À igualdade opõem a diferença, afirmando que a igualdade «alimenta a utopia universalista e a procura da legitimidade pelas sociedades liberais». Nesta óptica, a igualdade, tal como o universalismo, «não é mais do que um logro», pois não abrange o conjunto dos cidadãos, «pois exclui numerosos indivíduos ou grupos, que não têm acesso ao espaço social, ao mesmo título que outros». Para além disso, «esta não tem também em conta as especifidades étnicas, históricas e identitárias», ou seja, não tem em conta a diferença, pelo que «esta igualdade é na realidade discriminatória», e só se aplica a um simulacro do cidadão, e não a indivíduos reais, repletos de subjectividade e de interioridade. A própria igualdade é «um conceito abstracto, avaliado na base de parâmetros igualmente abstractos, e que podem não corresponder às percepções de desigualdade sentidas pelos indivíduos».

4- Ao mérito objectivo opõem o reconhecimento subjectivo. Esta oposição é ilustrada pelos conflitos no domínio do ensino. Argumentando contra o critério do mérito objectivo, o papel da competição e a instituição de standards de qualidade de aplicação generalizada, os defensores do multiculturalismo «sublinham a importância do reconhecimento para ajudar os membros de certos grupos desfavorecidos a desenvolver um sentimento de auto-estima(?!)

Apesar das questões epistemológicas serem um assunto tipicamente académico pela sua natureza abstracta e filosófica, não é muito difícil perceber, mesmo para quem estiver mais desfasado destas questões, que a epistemologia multicultural descrita por Semprini não só está imbuída de uma determinada visão ideológica como contém um «lado militante» e pretende influenciar o curso das políticas públicas do estado. Falarei desta questão num próximo post.

1 comentário:

  1. —» Existem DOIS TIPOS de multiculturalismo:
    -1-» O Multiculturalismo Local (ao nível de cada cidade)... produz... um Mono-Culturalismo Global: TODAS as cidades irão ser dominadas demograficamente pelos Povos(Raças) de maior rendimento demográfico.
    -2-» Pelo contrário, o Mono-Culturalismo Local ( a existência de Reservas Naturais de Povos Nativos )... produz... um Multiculturalismo Global: TODOS os Povos Nativos ( inclusive os de menor rendimento demográfico... e... inclusive os economicamente menos rentáveis ) vão poder ter o SEU espaço no Planeta.

    -> Os multiculturalistas-globais aceitam o multiculturalismo-local... o problema está no facto de que os multiculturalistas-locais estão infestados de NAZIS: eles pretendem ver eliminadas as Identidades Étnicas Autóctones (vulgo, multiculturalismo-global).

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