quarta-feira, 1 de junho de 2011

A revolução da ordem- Individualismo e nacionalismo orgânico

«O fascismo tem um conceito orgânico e histórico da sociedade, que se opõe ao conceito tradicional, atomista e materialista, da doutrina do liberalismo. A sociedade deve ser considerada na perenidade da sua existência, que ultrapassa a dos indivíduos, elementos transitórios...
Segundo o conceito fascista, o indivíduo não pode ser considerado como o fim supremo da sociedade. A sociedade tem os seus fins próprios e imanentes, de conservação, de expansão e de aperfeiçoamento, distintos dos fins dos indivíduos que, num momento dado a compõem...
Não é possível raciocinar com mais clareza- e escrever com mais precisão. Ao predomínio do indivíduo sobre a sociedade, vem pois suceder o predomínio da sociedade sobre o indivíduo, que, desde Bonald, Maistre e Comte, a Durkheim e a Maurras, há tantos anos a ciência política reclamava. Kant disse: «O homem é um fim e não pode ser reduzido ao valor de meio.» Invertamos a fórmula de Kant...
Haverá, porém, o perigo de se cair no excesso contrário? Não estaremos ameaçados por uma Estadolatria em que o indivíduo seja sacrificado, esquecido, anulado em absoluto?
Rocco elucida-nos imediatamente sobre esta questão e não deixa subsistir equívocos: «O contraste fatal entre as necessidades da organização política e as do desenvolvimento harmonioso da personalidade humana, é resolvido pelo estado novo, visto que se o indivíduo tem uma posição subordinada perante a sociedade, essa subordinação é, ao mesmo tempo, causa de desenvolvimento e prosperidade dos indivíduos- que só se tornam possíveis onde o estado seja vigoroso e bem organizado.»
Ora isto é plenamente certo: a interdependência do bem individual e do bem social só pode ser negada pelos utopistas incuráveis... O bem social, em primeiro lugar; o bem individual, em último. Um e outro, porém, auxiliando-se e valorizando-se mutuamente, como elementos complementares.
E, assim, o Estado Fascista resulta, pode dizer-se, um estado democrático-não no velho sentido desta expressão, porque se recusa a atribuir a soberania ao povo, mas um estado democrático no sentido de que adere estreitamente ao povo, de que está em permanente contacto com ele, de que o guia espiritualmente, lhe sente as necessidades, vive a sua vida, coordena a sua actividade. Qual o principal instrumento desta aliança entre o estado e o povo? Uma representação autêntica, nada semelhante à representação fictícia do sufrágio universal.»


In "A revolução da ordem- João Ameal"

1 comentário:

  1. A filosofia das "Luzes" teve com Immanuel Kant o máximo expoente. O mal já vinha de trás com a negação da filosofia escolástica, mas Kant subverte tudo e tudo relativiza.

    Cumprimentos,

    ResponderEliminar