sexta-feira, 10 de junho de 2011

O parlamentarismo segundo Salazar

«Somos anti-parlamentares, anti-democratas, anti-liberais e queremos constituir um estado corporativo. Tais afirmações são capazes de fazer tremer certos povos e até mesmo de causar horrores a alguns mais habituados a corrigir pelas virtudes da sua formação social os defeitos do seu sistema político, do que o vislumbrar os danos causados por essas mesmas instituições nos países que têm uma formação diferente. Um dos grandes erros do século XIX foi considerar que o parlamentarismo Inglês, a democracia Inglesa constituíam um regime capaz de se adaptar a todos os povos Europeus. Eis aqui o resultado: A democracia parlamentar conduziu por toda a parte à instabilidade e à desordem, ou então transformou-se numa espécie de denominação absoluta dos partidos sobre a verdadeira nação.
Em geral, as democracias do continente não fizeram pelo povo aquilo que regimes não democráticos teriam podido fazer; e não é verdade que os regimes qualificados de liberais tenham realmente salvaguardado as liberdades públicas. Nós somos anti-liberais, porque queremos garantir estas liberdades, enquanto que o liberalismo nos privou de algumas das que nós possuíamos e se mostrou incapaz de nos assegurar aquelas que teríamos podido obter. Somos anti-democratas, porque a nossa democracia, que aparentemente se apoiava no povo e pretendia representá-lo, chegou ao ponto de não se lembrar do povo a não ser no momento das eleições, ao passo que nós queremos elevar o povo, educá-lo, protegê-lo, arrancá-lo da escravidão da plutocracia.»


In "Como se levanta um estado- António Oliveira Salazar".

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