segunda-feira, 13 de junho de 2011

O mistério humano segundo Eccles

John C. Eccles (1903-1997) foi um investigador e fisiologista australiano tendo-lhe sido atribuído um nobel de medicina pelo estudo dos mecanismos através dos quais os impulsos são controlados pelas células nervosas. Eccles ficou fascinado com os processos quânticos subjacentes a essa área.
Eccles estava convicto de que a natureza humana era mais complexa do que o reducionismo mecanicista afirmava, em que tudo acontecia por acaso e pelas leis da física e da química. Contra esta perspectiva levantaram-se Eccles, e outros como Sherrington, Popper, Wheeler. O mistério humano, segundo Eccles, pode ser posto desta forma: como é que o mecanicismo materialista de evolução biológica foi capaz de gerar seres com autoconsciência e valores humanos? Como se pode explicar e justificar o dualismo da natureza humana-o corpo e a mente- e a interacção entre a mente e o cérebro?
No mundo quântico, o mental e o cerebral-o que tem aparência mental e o que tem natureza material- já não estão refractariamente separados, mas interagem de uma forma íntima, em que aparentemente, a matéria desponta de estados de aparência mental. Não é necessário qualquer fluxo de energia nos processos sensíveis à informação para afectar a aparência de um evento macroscópico. E como tal, fica claro que fenómenos fisicamente energéticos podem ser afectados unicamente pelo fluxo de informação, o que indicia que a mente seja capaz de afectar sistemas quânticos da mesma forma , sem necessidade dos mecanismos sensíveis à energia do espaço-tempo.
Para Eccles, o materialismo monista era uma doutrina inaceitável, porque, como afirmava, "não era uma base para uma vida com valores".
continua.

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