quarta-feira, 18 de maio de 2011

A revolução da ordem- Restauração do estado

«O erro básico foi colocar o indivíduo em face do estado-sem atender aos corpos intermediários que permitam conciliar o interesse individual e o interesse geral. Assim, os indivíduos haviam fatalmente de se associar, ou formando clientelas parasitárias de assalto ao poder-ou formando grémios profissionais que, não encontrando a protecção coordenadora do estado, se viam obrigados a opor-se-lhe perigosamente. Por isso, ao fim dum século de experiência demo-liberal, o estado sofre duma tremenda falta de viabilidade-e, para viver, só tem um processo: recorrer à centralização absoluta, hipertrofiando-se e tornando-se despótico até ao absurdo.
O Fascismo compreendeu om problema que era preciso encarar- e propôs-lhe a única solução justa. Enfraquecendo o estado? De forma nenhuma. Isso seria o mesmo que perder de vez as esperanças de remediar o mal. E Mussolini, portanto, anunciou, como ponto de partida da sua acção reformadora: «A ideia central do nosso movimento é o estado; o estado é a organização política e jurídica das sociedades nacionais e manifesta-se numa série de instituições de várias ordens». Entretanto, já aqui se esboça um conceito diferente do anterior. O estado organiza «as sociedades nacionais»- e não a poeira atómica dos indivíduos considerados como unidades abstractas e equivalentes. E outras precisões virão completar a imagem renovadora do pensamento fascista. Anti-individualista como todos os sociólogos dóceis ao ensinamento das realidades, Mussolini ataca e nega o mito da soberania do povo- do povo reduzido à simples adição de vontades individuais. É útil ouvir longamente o seu depoimento de chefe e de crítico de ideias, para obtermos uma noção completa da obra a que presidiu e preside:
-«As revoluções dos séculos XVIII e XIX»- escreve, em 1924, na revista Gerarchia-«tentaram resolver o desacordo que está na base de todas as organizações sociais do estado, fazendo do poder uma emanação da vontade livre do povo. É mais uma ilusão e uma ficção. Antes de mais nada, aquilo que se chama «povo» nunca foi definido, é uma entidade abstracta como entidade política. Não se sabe exactamente onde começa nem onde acaba. O adjectivo«soberano», aplicado ao povo, é uma farça trágica...»



In"A revolução da ordem-João Ameal"

1 comentário:

  1. Novidades das Edições Réquila:
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    edicoesrequila.blogspot.com

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