segunda-feira, 16 de maio de 2011

A revolução da ordem- princípios gerais

«Quanto a mim, há duas espécies de factores na origem da grande crise moderna:
a)- os factores resultantes da sublevação individualista- principiada, no campo espiritual, pela reforma, no campo social e político, pela Revolução Francesa, estabelecida, no campo económico, pelo sistema fatal de livre concorrência;
b)- os factores resultantes do novo condicionalismo da vida actual, sobretudo no que se refere ao desenvolvimento e rapidez das comunicações, e à industrialização crescente, que é um dos grandes motivos do mal-estar da nossa época.
Não é, de certo, preciso, insistir nos factores de primeira espécie. A sua exposição e a sua crítica já tem sido feitas- e duma forma irremediável. (...) Lucien Romier, na "explication de notre temps", em palavras duras: «o homem tendo rompido com a sua tradição espiritual, sofre como escravo o prestígio das hierarquias materiais...» Isto, quanto ao pensamento moderno, cada dia mais sujeito, na verdade, ao império da máquina.
Sob o ponto de vista social e político, o fracasso dos regímens demo-liberais gerados nas ideologias absurdas da reforma e da Revolução Francesa- é geral e incontestável. Até um dos autores mais insuspeitos, Cambó, alude à «falência de todo o sistema constitucional e de toda a ideologia democrática e humanitária que rege a Europa desde há um século», registando também que «o declínio do prestígio dos parlamentares é um fenómeno geral na Europa...» Construídas segundo um critério meramente abstracto, em que se sacrificava a multiplicidade das contingências sociais e a sua maleabilidade fecunda aos dogmas absolutos da mitologia "rousseauista- as constituições políticas do século XIX mostram-se inteiramente incapazes de conter a vastidão infinita dos fenómenos modernos.»


In "A revolução da ordem- João Ameal".

Sem comentários:

Enviar um comentário