quinta-feira, 28 de abril de 2011

Perfil de Salazar- A vinda para Coimbra

«O país atordoado e febril, vem duma monarquia constitucional e entra, estrondosamente, numa República democrática. Vinte anos de oposição mais ou menos permitida criaram mártires, revelaram homens, definiram em sedutoras miragens princípios, programas de acção, rumos de futuro. Havia por toda a parte, em todas as zonas da vida nacional, uma evidente fadiga do monótono espectáculo político do cómodo rotativismo e uma acentuada desconfiança perante a falta de convicção dos defensores do Paço entregues ao delírio suicida das lutas partidárias.
Hintze fora, no dizer, com certeza exagerado, dum diário da capital, no dia da sua morte, «o último monárquico».
A república, servida por uma boa selecção de altos pensadores e economistas, apregoada como um instrumento de intervenção redentora, prometida como uma fórmula de salvação, foi entendida com o alvoroço e a mística de um ideal. Surgiu com a força da lógica de uma necessidade criada nos espíritos e amparada nos corações e nas inteligências subordinadas à emoção de um longo e vibrante discurso de propaganda ao ar livre. O novo regime é agora um facto legal e festivo. Realizar a república- eis a influência superior que deve preencher o período histórico que começa. Mais tarde, porém, outra imposição complementar se tornará urgente: consolidá-la até os limites de uma nacionalizaçõa quasi geral.
O primeiro encargo compete aos homens da propaganda, em breve envolvidos pela nuvem parda dos recém-chegados ambiciosos. Quando em que circunstâncias e a que figura será entregue a segunda missão: sustentar o regime, dignificá-lo em prestígio de uma obra séria, forte, salvadora, fora das paixões dos fraccionamentos partidários, só em obediência ao mais alto sentido do verdadeiro interesse nacional?» continua


"Perfil de Salazar- Luís Teixeira"

Sem comentários:

Enviar um comentário