quarta-feira, 27 de abril de 2011

Perfil de Salazar- O problema da instrução

«Mil novecentos e oito. É ainda em Viseu. Salazar tem 19 anos. Coimbra, a velha universidade, a tentação de mais vastos conhecimentos, a ânsia de mais completos e amplos estudos, preenchem ambiciosamente o seu espírito, dominam nele todos os cálculos do futuro, fecham o programa da sua vida que começa para o exterior. Entra como prefeito para o colégio da Via Sacra, que sob a direcção do cónego Barreiros tenta fixar no nosso país os métodos de modelares escolas britãnicas, já aliás, introduzidos e começados a praticar em França na «École des roches»de E. Demolins.
Lê la Science Sociale; analisa a «superioridade dos particularistas sobre os comunitários», (...)
Acredita que por meio do processo educativo esses princípios podiam ser transplantados nas tenras almas das crianças. Esta ideia apaixona a sua mocidade. Era talvez possível estabelecer uma corrente de boas ideias a este respeito, criar ambiente favorável, de modo que nem tudo desaparecesse do nosso esforço, e os pequenos «homens» que formávamos para a vida fossem depois outros tantos educadores das novas gerações. O problema nacional era um problema de educação e «portanto de pouco valeria mudar governos ou regimes, se não tratássemos em primeiro lugar de mudar os homens. Eram precisos homens: tornava-se mister educá-los. Li então pedagogias, li muitos livros de educação- críticas de velhos processos, rasgados elogios de novos, novas vistas, novos fins a realizar na educação dos rapazes, e de tudo isso resultou-me pelo menos uma convicção bem sólida: oficialmente, no nosso país, não havia uma obra de «educação» no sentido dum desenvolvimento integral e harmónico de todas as faculdades individuais, o estado quasí exclusivamente se tem encarregado da educação intelectual».
Tudo se resumia, vendo melhor, a um pouco de instrução.» continua


"Perfil de Salazar- Luís Teixeira"

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