sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perfil de Salazar- A formatura

«Finda a formatura em 1914, começa desde logo a fazer parte do corpo docente da universidade, embora só em 28 de Abril de 1917 tome posse, após o concurso, do lugar de assistente do grupo de Ciências Económicas. Passado um ano, um mês antes de lhe ser conferido o grau de Doutor, é professor ordinário do mesmo grupo. No jornal Liberdade, que saía no Porto em 1914, o Prof. Salazar publica notáveis crónicas sobre economia e finanças com um sentido claro de doutrinação e reunindo a crítica económica à crítica política. «O ágio do ouro, sua natureza e causas (1891-1915)», «Questão cerealífera do Trigo», «Alguns aspectos da crise das subsistências» e os artigos «Sobre que valor incide a contribuição de registo por título oneroso», «Da não retroactividade das leis em matéria tributária», «A competência dos tribunais do contencioso e a simulação de valor na contribuição de registo», «Tributação das empresas agrícolas coloniais» e «A moderna técnica tributária» e também «Direito fiscal» na revista de legislação e jurisprudência, e outros estudos e ensaios, são documentos do professor que surgem a seguir.
A orientação do mestre nas aulas está definida nestas frases com que termina geralmente as suas prelecções:
«É esta a minha opinião. Os Senhores, porém, consultados os elementos de estudo que indico, bem pesados no seu espírito os argumentos a favor e contra, seguirão a opinião que melhor entenderem». «Esta questão não me parece que esteja ainda suficientemente estudada e esclarecida, não sendo possível, no estado actual da ciência, formar sobre ela uma opinião que possa considerar-se definitiva».
Em 1918, na primeira lição do curso de Economia Política, sintetiza assim as suas preocupações e o seu sistema de educador:
«Nada seria para mim, como professor, mais lamentável que o deixar de empregar todos os esforços ao meu alcance para, dentro das matérias que ensino, tornar familiares ao espírito dos alunos todos os grandes factos, todas as grandes ideias, todas as grandes correntes de opinião que cruzam o mundo e bem ou mal o dirigem. Sejam quais forem as nossas opiniões pessoais sobre uma outra questão, convém ter sempre o nosso espírito aberto aos novos factos e às novas ideias, num louvável desejo de progresso, de rectificação contínua dos nossos conhecimentos, de revisão da nossa mentalidade.» continua


"Perfil de Salazar- Luis Teixeira"

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