sábado, 2 de abril de 2011

Joseph de Maistre- Dos pretensos perigos de uma contra-revolução VI

«Convém não se deixar enganar, aliás, por esta igualdade ideal que existe apenas nas palavras. O soldado que tem o privilégio de falar ao seu oficial com um tom grosseiramente familiar, não se torna por isso seu igual. A aristocracia dos lugares que não se pôde ao princípio vislumbrar na transformação geral, começa a formar-se. Mesmo a nobreza retoma a sua indestrutível influência. As forças armadas na terra e no mar são já comandadas, em parte, por fidalgos, ou por estudantes que o antigo regime tinha nobilitado agregando-os a uma profissão nobre. A república obteve mesmo através deles os seus maiores sucessos. Se, talvez infelizmente, a delicadeza da nobreza francesa não a tivesse afastado de França, ela comandaria já em todo o lado; e é coisa muito comum ouvir dizer: Que se a nobreza tivesse querido, ter-lhe-iam sido dados todos os cargos. Certamente, no momento em que escrevo (4 de janeiro de 1797) a república bem gostaria de ter nos seus navios os nobres que fez massacrar em Quiberon. O povo, ou a massa dos cidadãos anónimos, não tem pois nada a perder, e, ao contrário, tem tudo a ganhar com o restabelecimento da monarquia, que trará de volta um conjunto de distinções reais, lucrativas e mesmo hereditárias, em lugar dos empregos passageiros e sem dignidade que dá a república. Não insisti sobre os emolumentos ligados aos lugares, já que é notório que a república não paga, ou paga mal. Ela produziu apenas fortunas escandalosas: mas só o vício enriqueceu ao seu serviço.» Joseph de Maistre- considerações sobre frança

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