quinta-feira, 31 de março de 2011

Joseph de Maistre- Dos pretensos perigos de uma contra-revolução V

«Se se olhar a questão sob um ponto de vista mais geral, descobrir-se-á que a monarquia é, sem contradição, o governo que dá mais distinções a um maior número de pessoas. A soberania, nesta espécie de governo, possui suficiente brilho para poder transmitir uma parte, com as gradações necessárias, a um conjunto de agentes que ela distingue mais ou menos. Na república a soberania não é palpável como na monarquia; é um ser puramente moral e a sua grandeza é incomunicável; também os cargos não são nada nas repúblicas, fora da cidade onde reside o governo; e não são nada, também porque são ocupados por membros do governo. Então é o homem que honra o emprego, e não o emprego que honra o homem: este não brilha como agente, mas como porção de soberano. Pode ver-se nas províncias que obedecem a repúblicas que os cargos (excepto aqueles que são reservados aos membros do soberano) elevam pouco os homens aos olhos dos seus semelhantes, e não significam quase nada na opinião, porque a república, pela sua natureza, é o governo que dá mais direitos ao mais pequeno número de homens a quem se chama o soberano e que retira mais direitos a todos os outros a quem se chama os súbditos. Quanto mais a república se aproximar da democracia pura, mais esta observação será notória. Lembremo-nos do conjunto inumerável de cargos (fazendo mesmo a abstracção de todos os lugares abusivos) que o antigo governo de França apresentava à ambição universal.» Joseph de Maistre- considerações sobre frança

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