quarta-feira, 30 de março de 2011

Joseph de Maistre- Dos pretensos perigos de uma contra-revolução III

«A revolução fez sofrer muito, porque destruiu muito; porque violou bruscamente e duramente todas as propriedades, todos os precedentes e todos os costumes; porque toda a tirania plebeia é, pela sua natureza, fogosa, insultante e impiedosa, a que operou a revolução Francesa empurrou esta característica ao excesso, não tendo o universo visto uma tirania mais baixa e mais absoluta. A opinião é a fibra sensível do homem: grita com altos brados quando é ferido neste ponto. É o que tornou a revolução tão dolorosa, porque ela esmagou a seus pés as grandezas de opinião. Ora, se a restauração da monarquia causasse a um igual número de homens as mesmas privações reais, existiria sempre uma diferença imensa, uma vez que não destruiria nenhuma dignidade, porque não existe qualquer dignidade em França, pela razão de que não existe nenhuma soberania. Mas, não considerando senão as privações físicas, a diferença não seria mais marcante. O poder usurpador imolava os inocentes; o Rei perdoará aos culpados: um abolia as propriedades legítimas, o outro reflectirá sobre as propriedades ilegítimas. Um tomou por divisa: Diruit, aedificat, mutat quadrata rotundis. Depois de sete anos de esforços, não pode ainda organizar uma escola primária ou uma festa campestre. E até os seus defensores troçam das suas leis, dos seus empregos, das suas instituições, das suas festas e mesmo das suas roupas. O outro, construindo sobre uma base verdadeira, não hesitará: uma força desconhecida presidirá aos seus actos; ele agirá apenas para restaurar: ora, toda a acção regular atormenta apenas o mal.» Joseph de Maistre- considerações sobre frança

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