terça-feira, 29 de março de 2011

Joseph de Maistre- Dos pretensos perigos de uma contra-revolução II

«Não nos faleis mais, pois, das dificuldades e desgraças que vos alarmam sobre as consequências daquilo a que chamais contra-revolução. Todos os males que haveis experimentado vieram de vós. Porque não haveríeis de ser feridos pelas ruínas do edifício que vós mesmos haveis derrubado? a reconstrução é uma outra das coisas: entrai apenas na via que aí vos pode conduzir. Não é pelo caminho do nada que chegareis à criação. Como são culpados esses escritores enganadores ou pusilânimes, que se permitem assustar o povo com esse espectro ilusório a que se chama contra-revolução! Que, concordando que a revolução foi uma terrível calamidade, sustentam porém que é impossível voltar atrás. Não se diria que os males da revolução terminaram e que os franceses chegaram a um porto de abrigo? O reino de Robespierre esmagou de tal forma este povo, feriu de tal forma a sua imaginação, que ele tem por suportável, e quase feliz, todo o estado de coisas em que não se decapite sem cessar. Durante o fervor do terrorismo, os estrangeiros notavam que todas as cartas de França que contavam as cenas hediondas dessa época cruel, acabavam com estas palavras: Presentemente, está tranquilo, isto é, os carrascos descansam, retomam forças; entretanto tudo está bem. este sentimento sobreviveu ao regime infernal que o produziu. O Françês petrificado pelo terror e desencorajado pelos erros da política estrangeira fechou-se num egoísmo que só lhe permite ver-se a si próprio e o lugar e o momento em que existe. Assassina-se em cem locais de França; não importa, se não foi ele que foi pilhado ou massacrado, se é na rua, ao lado de sua casa, que se cometeu um destes atentados, que importa ainda? O momento passou, agora está tudo tranquilo: ele duplicará os ferrolhos e não pensará mais no assunto. Numa palavra, qualquer Françês é suficientemente feliz no dia em que não o matam.» Joseph de Maistre- considerações sobre frança

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