quinta-feira, 17 de março de 2011

Joseph de Maistre- considerações sobre a monarquia III

«Se os Franceses reflectirem de boa fé no silêncio das suas paixões, sentirão que isto é suficiente, e talvez até mais que suficiente, para uma nação que é demasiado nobre para ser escrava e demasiado fogosa para ser livre.
Dir-se-á que estas velhas leis nunca eram executadas? Nesse caso, era culpa dos Franceses e não mais existe para eles a esperança de liberdade. Porque quando um povo não sabe tirar partido das suas leis fundamentais, é inútil que procure outras: é uma marca de que não foi feito para a liberdade e que está irremediavelmente corrompido. (...) Os Franceses, neste ponto, foram corrompidos pelos Ingleses. Estes disseram-lhes que a França era escrava, como lhes disseram que Shakespeare valia mais do que Racine; e os Franceses acreditaram. Chegou ao extremo do honesto juíz Blackstone colocar na mesma linha, no final dos seus commentaires, a França e a Turquia: sobre o que é preciso dizer como Montaigne: não se poderá ridicularizar demais a impudência deste emparelhamento. Mas estes Ingleses quando fizeram a sua revolução, pelo menos a que aconteceu, suprimiram a Realeza ou a câmara dos pares para darem a si próprios a liberdade? De maneira nenhuma. Mas da sua antiga constituição posta em prática, retiraram a declaração dos seus direitos. Não há nenhuma nação cristã na Europa que não seja de direito livre, ou bastante livre. Não há nenhuma que não tenha nos fundamentos mais puros da sua legislação todos os elementos da constittuição que lhe convêm. Mas é sobretudo preciso evitar o enorme erro de acreditar que a liberdade é algo de absoluto, não susceptível de mais e menos. Lembremo-nos dos dois toneís de Júpiter; em vez do bem e do mal, coloquemos o repouso e a liberdade, Júpiter faz a sorte de cada nação: mais de um e menos de outro. O homem nada intervém nesta distribuição.»


Joseph de Maistre- considerações sobre frança

Sem comentários:

Enviar um comentário