terça-feira, 15 de março de 2011

Joseph de maistre- considerações sobre a monarquia II

«Os Franceses não experimentam há tempo suficiente o sangue dos Capetos? Sabem, por uma experiência de oito séculos, que o seu sangue é doce, porquê mudar? O chefe desta grande família mostrou-se na sua declaração leal, generoso, profundamente penetrado de verdades religiosas, ninguém lhe disputará a sua inteligência natural e muitos conhecimentos adquiridos. Existiu, um tempo, talvez, em que era bom que o Rei não soubesse ortografia; mas no século em que se acredita nos livros, um Rei letrado é uma vantagem. O que é mais importante é que não se pode supor nele nenhuma das ideias exageradas capazes de alarmar os Franceses. Quem se poderá esquecer que ele desagradou em Coblença? É um grande título para ele. na sua declaração, ele pronunciou a palavra "liberdade"; e se alguém objectar que esta palavra está apresentada sem relevância, pode-se responder-lhe que um Rei não deve falar a língua das revoluções. Um discurso solene que dirige ao seu povo deve distinguir-se por uma certa sobriedade de projectos e expressões, que nada tem a ver com a precipitação de um particular. Quando o Rei de França diz: Que a constituição Francesa submeta as leis às formas que consagrou, e o próprio soberano à observância das leis, e de defender a liberdade dos súbditos contra os abusos da autoridade, ele disse tudo, porque prometeu a liberdade pela constituição.
O Rei não deve falar como um orador da tribuna parisiense. Se descobriu que é um erro falar da liberdade como algo de absoluto, que ela é, pelo contrário, algo susceptível de mais e menos e que a arte do legislador não é tornar o povo livre, mas suficientemente livre, descobriu uma grande verdade e devemos louvá-lo pela sua moderação em vez de o censurar. Um célebre Romano, no momento em que dava a liberdade ao povo mais feito para ela, e o que era livre há mais tempo dizia ao seu povo: Libertate modice unatum.»


Joseph de maistre- considerações sobre França

1 comentário:

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