quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A emigração e o seu papel no fluxo de capitais

Portugal tem uma considerável vaga de emigração, vaga essa que se iniciou já nos meados do século XVII. Segundo registos, vários foram os portugueses que desde cedo se aventuraram por esse mundo fora, aí passando a viver e trabalhar, conseguindo um importante fluxo de capitais para o país. Podemos dizer que portugal foi o inventor oficial da emigração. Naquelas épocas o chamamento para o desconhecido era intenso, havia um misto de aventura e desígnio superior a comandar essas acções e vagas migratórias. Hoje em dia, a coisa é muito diferente, para muito pior, a emigração é uma das armas da plutocracia, nem sequer defendendo aquilo que diz defender. O sistema político-financeiro actual, dominado única e exclusivamente pela lógica do máximo lucro possível, faz com que os portugueses não aceitem trabalhos a 500 ou 600 euros, pois não os podem na realidade aceitar, sendo obrigados a sair do país. Ao ritmo de 75000 por ano, e parece-me que estes números pecam por defeito. Para substituir os portugueses lá vêm brasileiros, africanos e asiáticos fazer esses trabalhos por 500 e 600 euros e até por menos. Vivem 10 num apartamento, dividem a despesa entre todos e nem que consigam mandar 150 euros para os seus países de origem, isso é uma fortuna para as realidades deles. E os portugueses que vão saindo já não são só "maçons" e "femmes de ménage", são também enfermeiros, médicos, economistas, cientistas, professores, mecânicos, pintores, agentes de seguros, bancários e a lista seria interminável. Os Portugueses estão a ser vítimas de uma debandada geral, perpetrada democraticamente pela via do socialismo da igualdade falsa e pelo não menos corrosivo socialismo nivelador e libertário. Nivelador apenas e só na ignorância, pois não há pior ignorância do que aquela que se reveste na capa ilusória da conceptuabilidade vigente do sistema, e libertário, pois na ausência de deveres e responsabilidades, a liberdade de tudo se fazer, o que se quer e não se quer, o ideal libertário é uma bomba a retardador.
A emigração já foi um importante fluxo de capitais, hoje é apenas um instrumento da plutocracia. O desenraízamento e o fim de muitas culturas e tradições dizem-nos que o fim está próximo.

2 comentários:

  1. Concordo em absoluto. E isto está obviamente relacionado com o problema da natalidade.

    Continua...

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  2. Se está caro amigo! Até para se ter filhos tem de se sair do país! Com os abonos que são pagos, a coisa só pode dar para passar fome...

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