quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A restauração- partidários e adversários

«Por toda a parte, sem dificuldades de maior, a nova ordem política, estabelecida pela revolução de 1 de dezembro de 1640, era acatada. Aclamado sucessivamente em Évora, Santarém, Coimbra, Porto, Braga, Guimarães, e outras terras, D. João IV, que chegara a Lisboa pouco antes, estava, ao cabo de poucos dias, reconhecido como legítimo rei em todo o país. Alguns fortes, como o de Viana do Castelo, os de Setúbal, o de S. Julião da barra e o de Cascais, guarnecidos pelas tropas castelhanas, ofereceram resistência, mas pouco duradoura. O de Viana do Castelo rendeu-se logo que o atacaram os moradores da vila com a ajuda dos de Braga, de Guimarães, e de outros lugares. O de S. Julião da barra, apesar de bem abastecido de munições e víveres, não resistiu muito ao ataque que lhe deram. Estava ali preso o conde da Torre, D. Fernando Mascarenhas, o qual logrou convencer o comandante do forte, D. Fernando de la Cueva, de que mais valia negociar capitulação, pela qual receberia boa recompensa, do que correr o risco de ser vencido pela força das armas- coisa certa e apenas dependenteda duração do ataque. A 12 de dezembro teve lugara rendição, tomando conta do forte D. Francisco de Sousa. Dois dias antes, rendera-se a D. Gastão Coutinho o forte de Cascais.
Em várias terras, a aclamação foi acompanhada de manifestações festivas, sendo dignas de menção especial, pela sua duração e pela categoria das pessoas que nelas tomaram parte, as que levou a efeito a universidade de Coimbra. Começadas em 6 de dezembro, só acabaram dois meses depois, publicando-se então um largo relato-os aplausos da universiadade a El-Rey D. João o IV. Do entusiasmo das manifestações pode julgar-se por alguns pormenores. No primeiro dia de festas fez-se solene aclamação do novo rei, concorrendo a este acto professores e estudantes; à tarde, subiram a cavalo muitos fidalgos vestidos de cor, e correram muitas carreiras no terreiro das escolas, e outros muitos a pé fizeram o mesmo, e se não quiseram eximir os Lentes velhos, Eclesiásticos, e frades; à noite continuaram os festejos, que se repetiram por muitos dias, assistindo a eles não só os moradores de Coimbra, como também os de terras vizinhas. Não faltaram, noites seguidas, fogos de artifício, luminárias nos edifícios públicos e nas casas particulares, cavalhadas e cortejos de vistosa mascarada; houve também procissões, festividades religiosas e sermões. Nada faltou. O último dia de festas, 8 de fevereiro de 1641, foi dedicado à recitação de poesias apropriadas às circunstâncias. Nesse dia, um discurso final, o do doutor Jerónimo da Silva de Azevedo, encerrou o ciclo festivo, acompanhando a entrega dos prémios que a universidade instituíra para serem conferidos a quem melhor louvasse sua majestade em poemas, epigramas latinos, canções, sonetos, e todo o género de versos nas três línguas, portuguesa, espanhola e italiana.
Em 15 de dezembro, mal calmado ainda o entusiasmo dos primeiros dias, celebrou-se em Lisboa, com notável solenidade, a cerimónia da coroação de D. João IV. Era o primeiro acto oficial a afirmar a estabilidade da restauração.»

Edição monumental da história de portugal-volume VI

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