terça-feira, 21 de setembro de 2010

A dívida pública

« Os debates sobre a dívida pública continuam a ser intensos: em 1734, Jean François Melon, antigo secretário de John Law e do cardeal Dubois e teórico do projecto, argumenta, num ensaio intitulado Ensaio político sobre o comércio que a dívida pública não é prejudicial: « as dívidas de um estado são dívidas da mão direita para com a mão esquerda», e o corpo económico « não ficará enfraquecido se tiver à sua disposição a quantidade de alimentos de que precisa e souber distribuí-los». Em 1748, e em resposta a este argumento, Montesquieu observa, num luminoso capítulo de " o espírito das leis" intitulado « Sobre as dívidas públicas»: « Há quem julgue que era bom um estado ter dívidas para consigo mesmo; parecia a essas pessoas que a existência de tais dívidas multiplicaria a riqueza, fazendo aumentar a circulação.» Acontece porém que a dívida pública « priva dos verdadeiros rendimentos do estado aqueles que desenvolvem uma actividade e têm iniciativa, transferindo-os para os ociosos; ou seja, os que não trabalham recebem comodidades e os que trabalham recebem dificuldades». E acrescenta, neste texto de modulações tão actuais, que a parte devedora não tem nunca a mais pequena vantagem sobre a parte credora, ainda que a classe dos que vivem à custa do estado pareça ser a menos manejada, porque se trata de uma classe totalmente passiva, e portanto improdutiva. Em 1755, no seu ensaio sobre a natureza do comércio em geral, Richard Cantillon preocupa-se com o impacto da dívida sobre os preços: « grande dificuldade[...] consiste em saber por que via e em que proporção é que o aumento do dinheiro faz subir o preço das coisas.» Por seu turno, Boisguilbert considera que, pelo contrário, a dívida pública é benéfica, porque estimula a circulação monetária.»

Estaremos todos falidos dentro de dez anos?- Jacques Attali

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