domingo, 4 de julho de 2010

Os perigos da globalização

«Há atitudes e modos de vivência que não se enquadram no contexto racional. Emanam de um determinada energia independente e transcendente relativamente ao plano em que se inserem as exigências da vida material.
O homem tem como característica fundamental ser duplo e polarizado; é um componente activo da natureza terrestre, funcional e geradora- eixo horizontal-e da natureza cósmica, sublimada, fecundante- eixo vertical. O homem vive entre dois mundos: o do espírito e o da matéria. Cosmogonicamente "acasalados" engendram a existência dos mundos, a própria criação. O homem, microcosmo, espelho do universo em escala menor, integra esta dupla natureza participando na obra da criação. A evolução dos mundos está submetida a dois movimentos contrários, o de descida e o de subida, o de expansão e o de reabsorção, o de degeneração e o de regeneração, o de dispersão e o de rentegração na ordem divina seguindo um movimento helicoidal que encontramos em várias tradições antigas.(...) A natureza é o maior e mais acabado símbolo que o homem pode alcançar que o homem pode alcançar e revela os seus mais íntimos segredos àquele que se revela a si mesmo intimamente, em profundidade. Todos os demais símbolos como os tarots no egipto, as mandalas do tibete, as representações das fases da obra alquímica, as cenas da criação e as representações sobre a vida de cristo nos templos cristãos, a cruz e a árvore da vida, etc, são os pedaços do puzzle mítico da criaçao e evolução do mundo que a consciência humana vai captando à medida que remonta o fio do tempo.(...) Apesar dos momentos agrestes e da era global que cada vez mais vem tomando conta das nossas vidas, o facto é que muito difícil acontecer a dessacralização total do homem já que isso exigiria uma separação integral da natureza arquétipa e ritual.
Mas o que é a globalização e quais os riscos que ela pode trazer à tradição? Aparentemente nenhum, mas se investigarmos o que pretende para o homem e para o mundo, aí, sim, encontramos terrenos movediços que poderão arrastar a humanidade para a perda do seu sentido espiritual, da sua razão de existir. O homem não nasceu fruto de um acaso. Foi criado por uma entidade cósmica, superior, que soube unir os vários elementos cosntituintes da natureza:
a) modelou uma forma
b) insuflou na forma o sopro vital que lhe deu vida
c) e colocou na forma uma marca, acentelha divina que lhe deu uma dimensão espiritual.

Assim foi criado o homem. A globalização, que para já é divulgada como um plano económico imprescindível para a sociedade actual, não tem nem vai ter em linha de conta a tradição, os conhecimentos ancestrais, os suportes que fundamentam a relação que até há bem pouco tempo unia o homem e a natureza. Pelo contrário, neste momento, o homem quebrou o pacto com a natureza e inflige nela feridas que muito dificilmente sararão a breve prazo. As teses globalistas dizem-nos que pretendem anular as fronteiras, abolir os obstáculos que impeçam a livre circulação das coisas, anular as diferenças étnicas ( como se isso fosse possível), criar uma só cultura, um só tipo de escala de valores, uma só forma de pensar e agir conforme a um modelo (falta saber qual) e tudo o mais sob uma forma global. O que é pertinente perguntarmo-nos é:
1- Onde está a riqueza da diferença entre os homens e as culturas, não foi isso que enriqueceu a humanidade, apesar das disputas havidas?
2- Vai anular-se a diferença em prol de um modelo para que tudo seja global?
3- Qual é o modelo que se vai adoptar?
4- Será discutido por todos os homens ou será imposto por um núclleo de mentes pensantes que detêm o poder?
5- O que é o homem global?
6- Será que o modelo global do homem e da cultura não provocará outro tipo de conflitos com, por exemplo, o terrorismo que é tido como a guerra moderna?

Perguntas sem respostas, mas, não é por isso que o plano global não avança; pelo contrário, à semelhança de uma armadilha, aglobalização vai-se institucionalizando sem se saber as bases humanas em que se fundamenta a sua teoria. E é nisso que consiste o seu perigo: é em não saber e não nos informarem correctamente sobre o que é.»


In-Portugal a missão que falta cumprir- Eduardo Amarante e Rainer Daehnhardt.

3 comentários:

  1. Plano global não sei se há. Mas esta crença no igualitarismo, na falsa diversidade, tem raízes muito fundas. Parece-me que, modernamente, as coisas começam a adquirir um rumo sério com Kant e a sua ideia do governo universal, mas já antes esta ideia tinha sido sugerida por alguns, desde a Antiguidade. Que é como quem diz, a demência universalista está presente há muito e combate as identidades desde então. Simplesmente, foi travada pelo bom senso, o interesse comum e outros valores que se lhe sobrepunham. Hoje, a descaracterização tem sido conseguida e aquilo que outrora era uma excentricidade aparece como algo natural. O problema é voltar a mostrar que aquilo é, de facto, uma aberração.

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  2. A intenção da globalização é essencialmente tornar a humanidade escravos. Caminhamos alegremente para a escravocracia, e ninguém parece estar a ver isto com olhos de ver. Antes de Kant, já outros como Fernaux ( autor françês do séc. XVI) o diziam, o mundo só terá paz e prosperidade quando estiver unido num único sistema mundial e numa única economia.Noutro campo e noutra época, jacques Attali no seu livro " breve história do futuro" diz que o homem chegará ao máximo de individualismo e egoísmo, o que fará a economia e a política mundial parecer uma só. Nenhum partido da esquerda ou da direita conseguirá travar a privatização da educação, da saúde, dos transportes, dos serviços prisionais, da segurança social,nem sequer a substituição destes serviços por outros produzidos em série, nem tão pouco, o hiper império que se aproxima a passos largos. Saúde.

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  3. Há um livro engraçado, de Louis Pojman, um filósofo americano que morreu em 2003 que é um verdadeiro tratado sobre o assunto. É uma Apologia do Governo Universal e mais não sei quê (agora não me lembro do nome de cor e não o tenho aqui à mão), editado pela Bizâncio. O autor faz uma resenha histórica deste processo e apresenta os seus argumentos para o governo mundial. Na edição portuguesa é referido que este autor e a sua obra são estudados em West Point e, ao ler-se, percebe-se porquê. Aquilo é um monumento ao universalismo multiculturalista.

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