quinta-feira, 8 de julho de 2010

O mito do quinto império no imaginário português

«A característica insatisfação do Português resulta de ainda não ter cumprido em pleno algo a que está destinado,de ter deixado o trabalho inacabado. O desânimo não é mais do que o estado de alma que experimenta nos momentos de crise anímica profunda, pela ausência de ideais superiores, sentindo então um vazio de motivações, aliado a um descontentamento em relação a si próprio, por não se sentir capaz, no momento, de abraçar o destino para que foi forjado. Porém, o Português não ode, porque está estigmatizado, viver sem a presença, real ou imaginária, do mito do quinto império, gravado a fogo nas cinco quinas da bandeira nacional.
Recordando nós que o mito é um relato que contém uma verdade, o quinto império é uma realidade a ser cumprida e essa é uma verdade que constitui algo de profundamente atávico no inconsciente colectivo do povo Português. Isto quer dizer que o Português- aquele que ama e sente a sua pátria e se identifica com os seus antepassados históricos e míticos-, quer queira quer não, tem o estigma do quinto império e no seu subconsciente sente-se directamente comprometido com a sua realização.
Essa tarefa, ou melhor, missão, já está em curso e a sua plasmação no plano físico far-se-á sentir num futuro não muito distante. É uma obra de tal envergadura que o seu processo já se iniciou nos planos subtis, aí onde se travam titânicas batalhas entre as forças da luz e as forças das trevas, entre as forças da evolução espiritual e as forças da estagnação materializante. E, na hora da sua consumação neste plano terrestre, será chamado a intervir o génio português com as suas qualidades ímpares e os seus defeitos sublimados e sacrificados no altar dos mais altos valores.»

In " Portugal a missão que falta cumprir" de Eduardo Amarante e Rainer Daehnhardt.

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