quinta-feira, 22 de julho de 2010

A lenta desconstrução dos estados

« Começará o mais tardar por volta de 2050, uma lenta desconstrução dos estados, alguns nascidos há mais de mil anos. A classe média, cairá na precariedade à qual pensava ter escapado após se ter desligado da classe operária; o contrato sobrepor-se-á cada vez mais à lei; os mercenários, sobre os exércitos e sobre a polícia; os árbitros sobre os juízes. Os juristas de direito privado farão flores. Em cada país, os partidos políticos, em plena decadência, tentarão- domínios de competência: nem a direita nem a esquerda conseguirão impedir a progressiva privatização da educação, da saúde, da segurança social, do policiamento e da justiça. A direita acelera esse processo pelas privatizações. A esquerda fará o mesmo, dando à classe média os meios de aceder mais equitativamente à mercantilização do tempo e ao consumo privado. A apropriação pública de grandes empresas deixará de ser uma solução credível; o movimento social não terá mais força para se opôr à mercantilização do tempo. Governos medíocres, manipulados por grupos de pressão, continuando a dar um espectáculo deplorável, cada vez mais desacreditado e cada vez menos levado a sério.»

Breve história do futuro- Jacques Attali

1 comentário:

  1. E segundo eu li algures, em 2050 Portugal terá metade da população que tem agora e como tudo funciona em rede, somos nós - espero que possamos lá chegar vivos - que vamos ter de pagar a enorme factura, em todos os aspectos. O mundo e a humanidade caminham para a ruína.

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