quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O papão comunista-retalhos de um bolchevismo à portuguesa

«Muito se apregoa que somos um povo sem acção,vivendo na eterna esperança de um messias salvador,e ninguém repara que emigrando para outros meios,bem demonstramos de quanto é capaz a nossa actividade.Em messias se arvoraram o estado e os municípios,senhores absolutos e omnipotentes, que a si chamaram o monopólio de todas as actividades.
Messias vemos nós a cada passo, na aldeia mais sertaneja como no centro mais populoso e a todos caracteriza a mesma preocupação absorvente de dominar os múltiplos aspectos da actividade individual,para salvar a nação,dizem eles.
Ora um país em que a actividade do estado assim vence e asfixia a actividade individual caminha para o comunismo.
O papão comunista, que o estado vê e persegue por toda a parte,não é mais do que o pálido reflexo, a imagem fugidia do seu próprio perfil.
A trajectória da actividade económica e social dos povos, que começou pelo comunismo, concretizado no poder supremo, espiritual e temporal, dum chefe caminha num sentido de individualismo progressivo para o extremo inatingível do individualismo puro ou anarquia.
Fazer reviver formas comunistas-sejam elas expressas pelo poder absoluto dum chefe ou pelo poder igualmente absoluto de classes ou de sindicatos(sindicalismo,bolchevismo) ou ainda representada por um número reduzido de indivíduos ( socialismo)-é regressar aos períodos bárbaros do passado.
Deixar as sociedades entregues à pura actividade individual,só compatível com a absoluta perfectibilidade humana,seria rematada loucura.Entre os dois extremos existe um termo médio, ou antes uma série de termos médios,cada um deles adaptado às características dos indivíduos a cada momento, mas todos eles tendendo para um progressivo individualismo.
A relação, entre as quantidades de actividade individual e de actividade do estado, que melhor correspondem ao perfeito equilíbrio a cada instante, que se chama a liberdade, tem um valor máximo constante, não podendo por isso a liberdade de um indivíduo aumentar, sem que uma diminuição correspondente sofra a liberdade dos outros.
Quando o estado tenta ampliar a sua acção, imediatamente restringe, por esse facto, as acções individuais.Ora o estado não vive da actividade dos indivíduos que o servem, mas tão somente da actividade dos indivíduos que constituem a nação».

In Doutrina nacionalista-J.Perpétuo da Cruz(1928)

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