domingo, 15 de novembro de 2009

O homem só e o homem de Deus

Estamos todos enganados[...] devido a um sofisma tão natural que escapa totalmente à nossa atenção.Porque o homem age,e pensa que age só,e porque ele tem consciência da sua liberdade,ele esquece a sua dependência.Na ordem física,ele compreende a razão;e o que ele possa fazer, por exemplo,plantar uma árvore,regá-la,etc,no entanto,ele sabe e é conveniente que o saiba,que ele não faz árvores,nem folhas ou flores.Ele vê perfeita e indistintamente a árvore crescer,ganhar e perder folhas,flores e frutos sem que o poder humano faça qualquer diferença sobre o assunto; mas na ordem social onde ele está presente e é agente,ele acredita que é realmente o autor directo de tudo o que é feito por ele: é em certo sentido,a pá que se acha o arquitecto.O homem é inteligente,é livre,é sublime sem qualquer dúvida; mas não deixa de ser um instrumento de Deus.


Joseph de Maistre «Ensaio sobre o princípio gerador das constituições políticas e das outras instituições humanas.»(1809)

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