domingo, 1 de novembro de 2009

O culto da terra e dos mortos-Influências do nacionalismo Alemão-III

Mas em França,neste país onde a unidade nacional existe desde longa data,onde a nação é um produto de um longo processo político,onde as fronteiras culturais e linguísticas são praticamente iguais às fronteiras políticas,a filosofia de Herder não responde a nenhuma necessidade concreta. E apesar de tudo,desde os meados do Séc.XIX,os nacionalismos alemão e Francês começam a apresentar características semelhantes:o movimento de revolta contra as luzes-movimento renovador cultural que a Alemanha tinha iniciado,e do qual,progressivamente,influenciva a França.Esta convergência atingiu o auge no início do Séc.XX. Quanto mais se avançava no tempo,mais o processo de radicalização se afirmava.Taine e Renan,um Darwinista social convicto, e outro mais próximo do ideólogo racista Arthur Gobineau,representando,em relação a Michelet,elementos determinantes para um nacionalismo de solo e de sangue.Tanto que o rejeitar das luzes começa inapelavelmente a chegar aos sectores da alta cultura até à opinião pública em geral,e o significado político deste fenómeno em França começava a provocar mossa.
Mas desde que as condições se prestaram,a revolta cultural deu origem à revolta política.Assim tinha acontecido na Alemanha: aquando do inverno de 1807,Fichte proclama o seu famoso «discurso à nação Alemã»,o apelo lançado em Berlim ocupada peo exército Francês,altamente alimentado de um puro espírito Herdeniano.As guerras levadas a cabo não somente ao exército Francês mas também às luzes Francesas foram um fenómeno de massas,às dimensões relativamente limitadas da época,mas foram efectivamente essas guerras que permitiram ao corpus intelectual ligado aos princípios essenciais do historicismo Herderiano,tornar-se uma força política.
A França foi tocada mais tarde,logo que,segundo todos os inimigos da democracia,a derrota de 1870 trouxera a prova da inferioridade de uma cultura política enraízada nas luzes francesas segundo os principios de 1789.Não foi a ditadura do golpe de estado que foi esmagada em dezembro de 1870,mas sim a obra da revolução Francesa.Aqui está,segundo Taine e Renan,as verdadeiras razões,profundas,fundamentais,da decadência Francesa,e da vitória da Prússia monárquica,autoritária e,segundo Renan,ainda semi-feudal.A França pagava o preço de uma revolução que tinha manchado a sua história,e dotando-a de uma igualdade mortal: a decomposição da França estava escrita na obra de Rousseau e os verdadeiros coveiros da grandeza Francesa não eram outros senão os Homems do Séc.XVIII e os seus descendentes,paladinos dos direitos do homem e da democracia.
Foi assim que,com o Séc.XIX aproximando-se do seu final,torna-se evidente que em França as reflexões sobre a decadência igualitária,a explicação da história em termos culturais primeiramente,racialistas de seguida,as meditações sobre o baixo utilitarismo dos novos tempos assim como as reflexões sobra a doença moral da época põem a causa toda uma cultura política sobre a qual se ancora os fundamentos da própria república.
Ferdinand Brunetiére diria mais tarde sobre Renan de ter sido um dos instigadores do anti-semitismo.Depois de Renan,vieram Maurice Barrés,Paul Bourget,Gustave Lebon e Eduard Drumond,entre outros.Maurras,descrevia a sociedade em termos de corpos,a visão da nação como um organismo vivo,o determinismo cultural engendra necessariamente uma rígida visão do mundo,enclausurada num certo extremismo.
Nos anos que precederam a primeira guerra mundial,os efeitos da acumulação de um século de anti-luzes fazem sentir na sua plenitude máxima.Foi sobre esta base que foi fundada a acção Francesa,e Maurras continuará a obra do nacionalismo integral de Barrés até Vichy.
O nacionalismo da terra e dos mortos tornou-se o motor intelectual da revolução nacional de Vichy,o particularismo nacional e racial é a prova mais forte da sua solidez e da sua potência acumulada ao longo dos anos.


Tradução feita da revista francesa-Le nouvel observateur Hors-série(décembre 2007).

1 comentário:

  1. Bom trabalho, a quantidade de bons textos que não estão traduzidos para português é enormíssima.
    É continuar com as traduções.

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