sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bonald e De Maistre os anti-luzes

A causa é perceptível:a direita contra-revolucionária está morta,ou reduzida a alguns fogachos de uma resistência folclórica atordoada.O seu discurso já só interessa aos historiadores político.Isto é uma evidência.Mas será mesmo assim?
A sua incontestável derrota política e ideológica condena-a ao silêncio eterno?
Nestes tempos actuais,tumultuosos,de interrogações,onde constantemente se põe tudo em causa,onde cada um sente,aprova e sabe em maior ou menor escala que a máquina social se desmorona,é possívelreexaminar o diagnóstico que este pensamento de direita formulou sobre as origens da nossa modernidade política.Numa época que se torna cada vez mais problemática,conflituosa,as relações entre a liberdade individual e os interesses colectivos,tornam-se confusas porque indivíduo e estado iludidos pela paixão da igualdade provocam um desejo de se singularizem,o que provoca naturalmente conflitos de interesses.As leis do mercado e de justiça social,mundialismo e nação,são interpretados ao limite máximo das consequências do iluminismo-sendo muito politicamente incorrecto contestá-los!-não se vislumbrando os seus limites e as suas incertezas.Talvez os argumentos dos inimigos do iluminismo e das suas consequências,a revolução Francesa,dito de outra forma os fósseis contra-revolucionários,estes anti-modernos por excelência,encontram hoje alguma pertinência,ou pelo menos mostram que as interrogações contemporâneas vêem de longa data,a da modernidade ante-revolucionária.
Uma chamada de atenção:nascida em 1789,o pensamento contra-revolucionário é também em boa parte herdeiro do anti-iluminismo,tal como as correntes do conservadorismo histórico,o despotismo esclarecido e o absolutismo integral.As suas elaborações teóricas intervirão em diferentes momentos,começando pela Inglaterra,pela Suiça e pela Alemanha,antes mesmo de serem elaboradas nos meios da emigração.Na sua forma mais radical,ela condena não só os princípios,actos,actores e consequências da revolução,mas também os principais conceitos filosóficos do pensamento iluminista,onde se reconhece a origem maldita da catástrofe.Elaborada entre outros pelo Irlandês Edmund Burke(1729-1797).Louis de Bonald(1754-1840) e Joseph de Maistre(1753-1821)-dois exilados da revolução-o pensamento contra-revolucionário é complexo desde a origem,devido à diversidade de pontos de vista,dos conceitos utilizados,das perspectivas ideológicas e politicas.Apesar das diferenças,as teorias contra-revolucionárias têm em comum a vontade de compreender as causas e o desenvolvimento da revolução,e de prever os possíveis fins.Recusa sobretudo,a concepção abstracta do Homem sobre o qual se fundiu a ideia revolucionária da constituição e sobre a pretensão humana de refundar a história.(continua)


Tradução feita da revista Le Nouvel observateur-Hors-série(décembre 2007)

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