quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O culto da terra e dos mortos-Influências do nacionalismo Alemão-II

Michelet descobre Herder pelas traduções de Edgar Quinet:nasce assim uma amizade famosa entre os dois,e Michelet,inspirando-se em Herder,introduz o seu pensamento em França.Continua a ser Michelet que,traduzindo para francês,revela à europa inteira Giambattista Vico(1668-1744),o rpimeiro a ter lançado da sua província Napolitana,o assalto contra o racionalismo.Aqui se coloca a pergunta essencial:porque é que o jovem historiador francês(Michelet),à procura de um método histórico,se voltou para Vico e Herder e não para Montesquieu ou até para Voltaire,o verdadeiro fundador da filosofia da história?Montesquieu era um racionalista,ao passo que Herder,como muito bem notou Hegel depois de Kant,era adepto de um anti-racionalismo que se tornaria a vaga de fundo que ataca a filosofia da época das luzes.Quanto a Renan,ele auto-proclamar-se-á o maior filósofo de todos os tempos,e seguirá Michelet na condenação do «veneno» que segrega o Séc.XVIII.
A explicação das reticências de Michelet a respeito de Montesquieu tem sobretudo a ver com a simpatia pelo nascimento do nacionalismo Alemão.Tal como Herder,Michelet pensa que o recurso demasiado radical da razão enfraquece as forças vitais.De facto,as suas escolhas irão doravante pesar consideravelmente sobre a evolução do pensamento nacionalista em França.A nação para Michelet é um ser vivo,cada povo possui uma alma colectiva,tal como Herder antes dele e tal como Barrés depois dele.Michelet para preservar a identidade nacional eleva-se contra o perigo do cosmopolitismo,e diz claramente:o que acontecerá a este povo,se se pusessem a imitar outros povos indo-se embora,copiando o que poderíamos chamar a anti-frança,a Inglaterra?Para Michelet «a via da imitação» é um corpo estranho que metemos na nossas carne,esta via que Herder reprovava duramente à Alemanha do seu tempo face à França,«é simplesmente a via do suicídio e da morte».
Na realidade,«o povo»(1845) representa esta vertente da historiografia e do nacionalismo Francês que traz em si a marca de vitória dos valores nacionalistas sobre os valores universalistas.É preciso seguir o fio que de Herder,passando por Michelet e Renan,até Barrés,para compreender não só a explosão do início do Séc.XX,mas também,o estranho parentesco entre os nacionalismos Alemão e Francês,que,por volta de 1900 convergem até terem características muito próximas.Não deixa de ser estranho tudo isto,pois,se a este do Rhin,da Alemanha até aos balcãs,ao báltico,à Ucrânia e à Rússia,esta concepção linguística e cultural e não política da colectividade,tal como a ideia dos novos povos aos quais o futuro pertence,tem um sentido e uma função constituíndo uma verdadeira revelação,uma força mobilizadora.Estas ideias não respondem a nenhuma necessidade concreta em França.Era natural que nessas regiões Herder se tornasse um profeta,e o particularismo nacional,histórico e cultural,mais tarde biológico,a lança de acção política,onde nada representava nas terras de eleição da monarquia e das repúblicas jacobinas.Nos impérios onde a colectividade se define pela língua e pela cultura,e não pelo estado ou pela dinastia,os conceitos de génio nacionalista e de carácter nacional eram um motor de revolta compreensível,e os critérios culturais podiam apresentar certas características democráticas,anti-dinásticas e serem forças de libertação.(continua)



Tradução feita da revista Francesa-Le nouvel observateur-Hors-Série(décembre2007)

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