segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O culto da terra e dos mortos-Influências do nacionalismo Alemão

Nos inícios do Séc.XX, a França opera um deslocamento radical para um nacionalismo de solo e de sangue.O que não é mais do que a consequência do rejeitar da cultura política universalista da época das luzes.
Trinta anos antes da revolução Francesa,a «enciclopédia» de Diderot e D´alembert define a nação como «uma quantidade considerável de povos que habita uma certa extenção de terras fechada dentro de certos limites e que obedece ao mesmo governo».Um ponto,e é tudo.Nem uma palavra sobre a história,a cultura,a língua,a religião:assim nasce o cidadão.Esta visão esclarecida,político e jurídica da colectividade não sobreviverá aos primeiros anos da revolução Francesa.A revolta contra as luzes da segunda metade do Séc.XVIII que da Alemanha passará à França,provocando um acentuar sobre as diferenças entre os povos de cada país e das suas comunidades de origem,dará origem ao nascimento do nacionalismo; o fundador da ideologia nacionalista foi um filósofo Alemão Johann Gottfried Herder(1744-1803).No entanto,nem o nacionalismo que iria percorrer os Sécs.XIX e XX nem os anti-luzes são exclusividades Alemãs.Por volta de 1760,Edmund Burke,o célebre autor das «reflexões sobre a revolução francesa»,que os neoconservadores insistem erradamente em classificá-lo de liberal,começa a forjar uma visão orgânica da nação.Pela primeira vez,o sentimento nacional,o culto do passado nacional,a história,a cultura e as tradições nacionais foram mobilizadas contra a autonomia dos indivíduos,os direitos naturais e a democracia.Mas foi com Herder que o nacionalismo explodiu:Herder e Burke exerceram uma influência determinante sobre Renan,sobre Taine,sobre Michelet e sobre Barrés.
Hippolyte Taine resumirá o pensamento de Johann Herder numa fórmula rapidamente aceite: o Homem é determinado pela raça,pelo meio e pelo momento.O nacionalismo generalizou-se,proclamando como verdade universal que não há verdade universal.
Maurice Barrés dirá:«Não há verdade absoluta,somente há verdades relativas».Da verdade,apenas restam uma pluralidade de verdades nacionais.
Contudo,para se ter uma visão da complexidade do evoluir das ideias,dos conceitos de esquerda e direita,assim como algumas relações surpreendentes e sempre tortuosas entre o nacionalismo alemão e o nacionalismo francês,será preciso falar sobre Michelet.Barrés o teórico da terra e dos mortos,do solo e do sangue,admirava Michelet,porque ele tinha descoberto nesse grande historiador,ele próprio entusiasmado pela escola Alemã,um aspecto que passou despercebido durante muito tempo: a visão da cultura,da hitória e da nação é mais próxima da de Herder e de Burke do que a que se encontra na «enciclopédia» e nos pensadores do iluminismo Francês.(continua)


Tradução feita da revista Le nouvel Observateur Hors-Série(décembre 2007)

1 comentário:

  1. Fragmento interessante no que concerne ao elenco de autores a ler e a estudar, no entando o nacionalismo está longe do relativismo, o nacionalismo proclama mesmo a verdade absoluta. Recomendaria a leitura das obras do nosso irrepreensível filósofo António José de Brito.

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