domingo, 5 de abril de 2009

Agostinho da Silva-o legado

"Não sou do ortodoxo nem do paradoxo;cada um deles só exprime metade da vida;sou do paradoxo que a contém no total"


"Sempre que nos situamos numa perspectiva mais elevada ,a realidade emerge,ou parece emergir diante de nós,de uma forma paradoxal,como se olhássemos,simultaneamente,em sentidos opostos.O que é,entre outros,um dos aspectos do simbolismo de Janus o Deus das portas,representado com dois rostos em oposição,de onde se possa talvez apreender um terceiro rosto,oculto e equilibrador:o rosto do paradoxo,que inclui todos os opostos,todas as contradições...
Foi esse o ponto de vista de Agostinho da Silva que,em conversa particular,assim sugeria:...paradoxo é aquilo que caminha ao lado da verdade...e parte para o enigma do universo:o paradoxo fundamental do universo,aquele que inclui galáxias e antigaláxias,é ser ele pensamento que a si próprio se pensa:para provar mais:que não tem sujeito pensador.
Esta é a sua visão de Deus.De um Deus ao mesmo tempo pessoal e transpessoal.De um Deus que é sempre duplo,por dele se poder apreender somente a parte que cabe no nosso entendimento:Deus é sempre duplo:aquele que é e aquele que eu entendo;a esse chamo Cristo.Um Deus em si mesmo paradoxal:chamando Deus ao pensamento,nome que dou ao inominável,um dos pensamentos que há em Deus(dizer que Deus o tem é antropomorfizá-lo) é o de um Deus como nós o concebemos,o outro é o do diabo.
Esteve o paradoxo sempre ou quase sempre,na linguagem e pensamento dos grandes iniciados.Jesus,ao afirmar que não vinha trazer a paz,mas a espada,é a expressão suprema do paradoxo.

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