sexta-feira, 27 de março de 2009

Doutrinas políticas-Utopistas

A geração dos utopistas:

"A descendência dos utopistas é imensa.
No século XVI houve vários utopistas notáveis.Entre eles há dois sobre os quais seria interessante fixarmpos a nossa atenção:o primeiro,Campanella(1568-1639),dominicano natural da Calábria,sociólogo,astrólogo,historiador,poeta e conspirador,deixou duas obras utópicas-Civitas solis(a cidade radiosa) e a Monarchia Messiae(A monarquia do Messias);o segundo,o normando Guillaume Postel(1520-1580),autor do De orbis terrae concordia teve rasgos de génio como autor da primeira gramática comparada;mas,tal como Campanella,é astrólogo e um pouco visionário.Condenado como herético a permanecer em residência vigiada em Saint-Martin des Champs,aí vive dezoito anos,continuando no entanto a dar aulas no colégio de França.
No século XVII,em França,Joachim du Moulin escreve O grande reino de Antargil(1616,reeditado em 1933,Paris,La Conaissance);Fénelon,escreve a sua Salenta(1699).Em Inglaterra,Harrington publica O oceano em 1696,obra que estaria esquecida se Montesquieu não tivesse censurado o seu autor por ter«construído Calcedónia quando tinha as margens de Bisâncio diante de seus olhos»,frase que se tornou num provérbio e que condena todo o utopista que pretende construir uma cidade imaginária quando não teria mais que estudar a realidade que se encontra na sua frente(L´esprit des lois).No século XVIII,entre muitos outros podemos citar,Barthélémy,a viagem do jovem Anacarsis,o Voltairiano Sébastien Mercier com a sua obra no ano 2240;e a basilíada de Morely,um discípulo de Rousseau.Finalmente,o próprio Montesquieu,nas suas cartas persas,escreve muitas vezes como um utopista.
No século XIX são sobretudo os escritores socialistas que apresentam utopias:a icária de cabete e o «falanstério» de Fourrier.Os reformadores Franceses são, em geral,apelidados de utopistas por Karl Marx,que pensa que toda a descrição do futuro pertence ao domínio da utopia.
No século XX temos,sobre a pedra branca de Anatole France;notícias de parte nenhuma de William Mooris;os romances de antecipação de Júlio Verne e de Wells;a cidade reedificada do italiano Solari;a minha utopia do Suiço Secrétan;a civilização de M.J.Fourastié.
Todas estas obras mostram que existem sempre viajantes que partem para a «ilha desconhecida» e que uma ou outra forma de utilização renova,todos os séculos,os processos imaginados por More há mais de trezentos e cinquenta anos."

By Marcel Prélot-in doutrinas políticas.

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